10/01/2016

Papa Gregório XIII não sabe fazer calendários, repassem

Às vezes a gente tem a falsa ilusão de que a virada do ano vai trazer grandes mudanças.
Nada muda. A virada do ano é só um intervalo de tempo no calendário gregoriano.
Minha virada de ano resumiu-se a encher a cara de Keep Cooler na casa da minha vó, assim sem nenhum critério, enfiar minha mão inteira dentro do pirex com farofa (nem sei por que fiz isso, mas a sensação de enfiar a mão dentro de comida granulada se compara a um orgasmo), e assistir à minha família inteiramente embriagada discutindo por causa de um relógio sorteado.
E teve também minha tia bem animada me mostrando um vídeo pornográfico no celular.
E meu tio dizia:
- Se você quer sucesso com os homens, faça que nem a essa mulher.

No dia seguinte ele quase infartou quando lembrei disso, porque ele mesmo não lembrava de ter me dito coisa alguma.
Mas o fato é: toda vez que vejo as pessoas extremamente felizes com pequenas satisfações da vida, como beber em família ou transar, penso o quão azarada eu sou nesse mundo.
Passa 2013, 2014, 2015 e eu ainda nem entendi o que diabos estou fazendo nesse mundo. Olho de um lado ao outro e ainda não consegui entender minha razão de viver, algo que me faça pensar "não posso morrer ainda, porque ainda tenho que fazer x coisa". A verdade é que eu não tenho vontade de fazer absolutamente nada. Nem beber, embora tenha feito com uma frequência preocupante, e muito menos transar. E aí escrevo na esperança de encontrar a conditio sine qua non, aquilo que fará meu sangue pulsar forte nas veias. Eu quero um dia acordar e pensar:

- O dia hoje vai ser bom. Porque *insira aqui um acontecimento* vai se realizar hoje!!!

Crime ocorre. Nada acontece. Feijoada.
Ano passado nem foi tão ruim. Digamos que bebi bastante em família, e transei algumas vezes.
Embora algumas vezes tenham sido um pouco traumáticas (?), como a fulana querendo socar sorvete dentro da minha buceta (ainda tô em choque???). E tem também a vez que eu fiquei tão bêbada que mandei mensagem pra certo alguém, conquistando meu atestado de Trouxa.
Outras coisas foram muito boas, como passar numa prova de estágio que vai me render $grandes aprendizados$ e uma viagem pro Rio de Janeiro.

O que quero dizer é
Que se esquecermos,
por um instante,
que o Papa Gregório XIII substituiu o calendário juliano pelo gregoriano
(tão egocêntrico que o calendário tem que ter o nome dele)
Vamos perceber
Que a passagem de ano é mera ilusão.

E eu estou fadada a romper com toda e qualquer continuação de 2015 na minha vida, por mais que eu saiba o quão ilusório é se guiar pelo calendário.

Esse vai ser o ano de:
- Fazer caminhada todos os dias (exceto hoje, pois fiz as unhas dos pés)
- Parar de falhar miseravelmente ao fazer as unhas dos pés
- Estreitar laços de amizade
- Fazer novos amigos
- Beijar na boca sem que isso seja uma obrigação pra que eu me sinta ótima com meu corpinho (porque eu já sou linda)
- Viajar
- Escrever um projeto de pesquisa
- Não abandonar o blog
- Passar em Teoria Geral de Direito do Trabalho (também conhecido como a pior disciplina da faculdade, por causa da linda professora que leciona)
- Parar de beber álcool.

A mais singela lista de todas.
Ao final do ano, espero lembrar que escrevi isso aqui. Então mostrarei a vocês o que consegui.
Quem sabe até lá encontro a conditio sine qua non com a qual sonho todos os dias.

Fiquem com a imagem do meu único e verdadeiro amor: minha gatinha gordinha fazendo graça <3

30/12/2015

Algumas coisas nessa vida nunca mudam

Uma delas é que eu realmente gosto de escrever.

Fiquei um tempão longe dos blogs porque minha vida ficou realmente atribulada. Em outras palavras, cresci. Passei a ter que ir ao banco duas vezes por semana pra resolver problemas, precisei começar estratégias de como não dormir nas reuniões do escritório ou como não dormir nessa maldita aula  da faculdade que todo mundo odeia. Então, toda minha vida passou a ser uma coisa bem estressante e repugnante, chegando ao ponto preocupante em que até dormir me deixa estressada.

Daí são momentos em que você pensa "o suicídio é a única solução". E então minha psicóloga começa a me olhar com uma cara bem feia, todas as vezes em que eu digo isso na terapia. Ela disse:

- Acho que você precisa buscar uma distração que não envolva trabalho e faculdade.

Mas é claro que não dou a mínima pro que a psicóloga diz. Por isso criei um blog totalmente anônimo pra falar mal do chefe, da família, das pessoas da faculdade, enfim.
Tudo isso de forma anônima, claro. Mesmo que alguns de vocês já me conheçam. Ou não.
O fato é que aqui eu sou apenas Meow. Isso mesmo, como um miado.

E deixa eu contar a história de como esse blog virou o Dona dos Gatos. Alguns devem ter se perguntado.

Um belo dia eu conversava com minha mãe, e o assunto girava em torno de como as pessoas me deixam irritada o tempo inteiro. Minha mãe cortava umas cenouras pra colocar no arroz. E aí perguntei:

- Mãe, será que um dia tenho chances de achar uma pessoa tão chata quanto eu? Digo, alguém que vai entender todas as minhas manias, minha antipatia habitual e meu bom gosto para música?

Eis que a mulher que chamo de mãe levanta uma sobrancelha e responde, sem tirar os olhos da cenoura:

- Evidentemente que não. Você vai morrer sozinha, numa daquelas casas que fedem a gente velha, com um monte de gatos ao seu redor.

Não vou mentir: fiquei chateada. Quer dizer, não é como se eu fosse realmente chata, só não sou... Digamos... Tão agradável quanto as outras pessoas. Mas foi uma chateação passageira. A verdade é que abracei pra mim o título de velha dos gatos, simplesmente porque não sou obrigada a mais nada.

Nos anos em que sofri bullying por motivos diversos, achava que a solução pra minha vida de merda era me adequar a todos os padrões possíveis e inimagináveis. Assim eu seria amada, e quem sabe teria uma boca disponível pra beijar de vez em quando. Porém, comecei a perceber que essa coisa de padrão estético é tudo uma grande besteira. E felizmente não descobri isso tarde demais, pelo contrário, o fim da minha adolescência foi bem normal.
Depois surgiu uma coisinha maravilhosa e viciante chamada independência emocional, e com ela veio minha maior conquista: o coração de pedra. Não, eu não fico brincando com o sentimento dos outros como fazem essas meninas da internet mais radicais que o Estado Islâmico. Na realidade, passei a não aceitar qualquer tipo de relacionamento só pra não ficar sozinha. Se não está bom pra mim, simplesmente caio fora. A solidão deixou de ser um problema e passou a ser a solução. Por sorte, realmente gosto muito de gatos. Talvez eles sejam minha companhia pra quando eu estiver idosa, sozinha e virgem.

Mas algumas coisas nessa vida nunca mudam.
Então... Lá no fundo, eu vou pular as sete ondinhas na praia pedindo encarecidamente que Iemanjá me mande um mozão em 2016.