A puberdade, né. Você sai dela, mas ela não sai de você.
Estava no auge dos meus 14 anos. Estudava numa escola ruim de bairro, mas era perto da minha casa. Eu e minha amiga, que morava no mesmo prédio, íamos juntas pra escola conversando sobre aleatoriedades e coisas insignificantes, mas que para a época eram bem importantes.
- A Capricho desse mês falou de um livro que parece interessante, você viu? - perguntou Bianca.
- Vi, um tal de Crepúsculo, né? Espero que seja bom. Gosto de vampiros, o último que li sobre o tema foi Entrevista com o Vampiro, você já leu?
- Não, mas eu vi o filme com Brad Pitt. Ele não é o homem mais lindo do mundo? - disse com brilho nos olhos.
- Bom... Ele parece bem arrumado. - dei de ombros. Pra mim, os homens não tinham graça nenhuma.
A vida era fácil. Ainda dava pra esperar um livro que estivesse no nível de Entrevista com o Vampiro.
Foi então que eu comecei a gostar dela.
Não da minha amiga do prédio, cruzes, ela é quase minha irmã.
Seu nome era Yara. Era uma garota de outra turma, que gostava de Evanescence e Green Day, e eu a achava perfeita (eu tinha 14 anos, minha noção de perfeição era questionável). Crepúsculo e Brad Pitt deixaram de importar. Convivi com a dor de vê-la todo santo dia na cantina, no pátio, na quadra e no corredor. Linda. Puta merda, como era linda. Por muitas noites, deitei em minha cama e chorei até dormir. Ou então imaginei Yara e seus cabelos negros vindo em minha direção para me beijar com seus lábios doces. Nos meus sonhos, conversávamos sobre música, filosofia, e a vida cotidiana - ela era tão inteligente. A vida virou um martírio, e nem as músicas do Evanescence conseguiam expressar a dor que eu sentia. Ela era impossível e inacessível, tal como todas as mulheres que eu já amei nessa vida.Meu sobrenome é Papel de Trouxa.
Não da minha amiga do prédio, cruzes, ela é quase minha irmã.
Seu nome era Yara. Era uma garota de outra turma, que gostava de Evanescence e Green Day, e eu a achava perfeita (eu tinha 14 anos, minha noção de perfeição era questionável). Crepúsculo e Brad Pitt deixaram de importar. Convivi com a dor de vê-la todo santo dia na cantina, no pátio, na quadra e no corredor. Linda. Puta merda, como era linda. Por muitas noites, deitei em minha cama e chorei até dormir. Ou então imaginei Yara e seus cabelos negros vindo em minha direção para me beijar com seus lábios doces. Nos meus sonhos, conversávamos sobre música, filosofia, e a vida cotidiana - ela era tão inteligente. A vida virou um martírio, e nem as músicas do Evanescence conseguiam expressar a dor que eu sentia. Ela era impossível e inacessível, tal como todas as mulheres que eu já amei nessa vida.
Então um dia cheguei na escola e lá estava ela no portão. Com um cara com os braços em volta dela. Um. Maldito. Cara. Era mais velho, do último ano do ensino médio. O que eu, com 14 anos, podia contra ele? E eles se beijaram. De língua! Decidi que isso não ia ficar assim, eu ia me vingar! Como pode a mulher da minha vida aparecer com um cara assim e acabar com toda história bonita que a gente construiu só na minha mente???
Decidi que era a hora de jogar sujo e fazer coisas insanas.
Dei em cima de um cara da escola que era amigo dela, e a gente ficou. Algumas vezes. Não aguentava encostar minha boca na dele por mais de três segundos, mas pareceu uma boa ideia para me livrar do fardo de gostar da Yara. Dei uma chance pra ele. Era baterista, tinha uns piercings bem loucos e gostava de Dimmu Borgir. Pra coisa ficar menos feia, eu fechava os olhos e imaginava estar beijando Yara. Mas sentia o cheiro de Paulo, o baterista, e dava ruim.
Bom... Isso foi no começo.
Depois eu realmente comecei a gostar dele, mas de uma forma muito estranha. Não era como gostar da Yara. Era algo mais próximo do animalesco. A gente se beijava desesperadamente na escada de emergência do meu prédio, como se quiséssemos provar algo a alguém. Dava até pra sentir o gosto metálico que vinha dos piercings que ele tinha na boca.
Bom... Isso foi no começo.
Depois eu realmente comecei a gostar dele, mas de uma forma muito estranha. Não era como gostar da Yara. Era algo mais próximo do animalesco. A gente se beijava desesperadamente na escada de emergência do meu prédio, como se quiséssemos provar algo a alguém. Dava até pra sentir o gosto metálico que vinha dos piercings que ele tinha na boca.
Contei pra minha mãe que estava apaixonada por Paulo, que ele era muito legal. E minha mãe, cética, perguntou:
- Ele não é velho demais pra você?
- Um pouco, mas a gente gosta das mesmas coisas.
Mas Paulo virou um vacilão. Ele queria transar comigo. Insistia e dizia que era importante para nós dois. Falei que não, então paramos de ficar. Fiquei triste, porque lembrava dos beijos na escada, e dos barulhos que o elevador fazia subindo e descendo atrás de nós. Era fácil beijar Paulo, porque dava pra esquecer de mim mesma, e da dor que era ver Yara e seu namorado do ensino médio todos os dias.
Ele jogou muito sujo depois que rompemos, esse otário. Resolveu espalhar para toda a escola que eu era uma vadia suja que deu pra ele na primeira semana. A virgindade tinha um valor muito importante pra mim naquela época, pois significava pureza e caráter inócuos. Não admiti ser associada a algo tão horrendo quanto transar com Paulo, até porque ele parecia não gostar muito de banho! Fiquei triste, defendi minha honra, mas de nada adiantou. Definitivamente, eu não era mais virgem, e outras meninas vinham me perguntar como era a experiência de transar, incluindo Yara, o amor da minha vida de 14 anos. Só Bianca acreditou em mim.
Ele jogou muito sujo depois que rompemos, esse otário. Resolveu espalhar para toda a escola que eu era uma vadia suja que deu pra ele na primeira semana. A virgindade tinha um valor muito importante pra mim naquela época, pois significava pureza e caráter inócuos. Não admiti ser associada a algo tão horrendo quanto transar com Paulo, até porque ele parecia não gostar muito de banho! Fiquei triste, defendi minha honra, mas de nada adiantou. Definitivamente, eu não era mais virgem, e outras meninas vinham me perguntar como era a experiência de transar, incluindo Yara, o amor da minha vida de 14 anos. Só Bianca acreditou em mim.
- Quem diria, hein? Deu de ombros pro Brad Pitt mas ficou esse maior tempão com o Paulo, aquele cara totalmente esquisito. - disse ela em ar de risos, enquanto subíamos a rua de volta pra casa.
Respirei fundo, pois já estava chateada o suficiente com a história toda, e respondi:
Respirei fundo, pois já estava chateada o suficiente com a história toda, e respondi:
- Em minha defesa, só o que tenho a dizer é: pelo menos ele beijava bem. Já o Brad Pitt nunca saberemos.
Conversei com Paulo pelo Facebook outro dia. Atualmente ele tem um namorado chamado Marcos. Ele pediu desculpas por ter me usado para provar sua masculinidade, e por ter falado coisas horríveis sobre mim. Disse que, na verdade, sempre gostou de homens.
- Achei que se eu transasse com você, que sempre foi muito linda, talvez eu conseguisse gostar de mulher.
COMO ASSIM VOCÊ ME USOU, PAULO?
Homem só decepciona, puta merda.
Só eu poderia ter feito isso!!!!
- Achei que se eu transasse com você, que sempre foi muito linda, talvez eu conseguisse gostar de mulher.
COMO ASSIM VOCÊ ME USOU, PAULO?
Homem só decepciona, puta merda.
Só eu poderia ter feito isso!!!!
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| Os temas do Casos de Família são, como sempre, bem atuais. |
Demorei a postar simplesmente porque esqueci que tinha blog?????????? Só eu mesma, sinceramente...


